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Pensamentos Profundos Num Mundo Líquido

  • Foto do escritor: Igor Fink
    Igor Fink
  • 25 de set. de 2023
  • 3 min de leitura

Resenha opinativa sobre o artigo “Zygmunt Bauman: Pensamentos Profundos Num Mundo Líquido, por Thales de Menezes - Superinteressante”


O artigo aborda sobre a vida e obra do já falecido filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Nascido em 1925 na Polônia em uma família de Judeus, viveu sua infância na União Soviética devido à invasão da Polônia pelas forças alemãs nazistas em 1939. Estudou sociologia na Academia de Política e Ciências Sociais de Varsóvia.


Thales de Menezes cita o fato de Bauman ser conhecido como um grande pessimista por suas críticas amargas, entretanto é impossível separar a obra do autor, analisando sua história de vida e suas ideias e opiniões, é possível identificar pontos convergentes que estabelecem uma conexão inegável entre artista e obra. Um declarado socialista que faz duras críticas ao modo de vida consumista criado pelo capitalismo, um judeu que escapou da nefasta ameaça nazista que infatiza a necessidade de luta pelos direitos de igualdade.


Zygmunt Bauman começou a ganhar grande notoriedade em 1999, com a publicação de seu livro ‘Modernidade Líquida’, onde somos apresentados a um dos conceitos centrais da filosofia de Bauman, a liquidez. O conceito de liquidez gira em torno do pensamento de que a fome capitalista por lucro forçou a uma super industrialização dos produtos e dos processos. Antes dessa super industrialização, a sociedade era composta por ‘produtores’, se você precisa de uma roupa você tinha que produzir ela ou levar em alguém que saiba produzir, se você precisa de comida você produz a comida. Após o processo de super industrialização a necessidade das pessoas de produzir caiu para praticamente zero, se você precisa de comida você compra, se você precisa de roupas você compra, essa mudança de comportamento social transformou a sociedade de ‘produtores’ em uma sociedade de ‘consumidores’.


Essa mudança de comportamento social alterou não somente a relação produto e consumidor, mas também alterou de forma drástica as relações interpessoais da sociedade como um todo, transformando a mentalidade das pessoas, fazendo elas enxergarem as relações humanas da mesma forma que elas enxergam produtos industrializados.


“As relações são cada vez mais vistas através do prisma de promessas e expectativas, é como um tipo de produto para os consumidores. Eles querem satisfação, se não ficam totalmente satisfeitos, devolvem o produto à loja ou vão trocá-lo por um novo e aprimorado.” - Zygmunt Bauman.

Ao adjetivar as relações humanas como líquidas, Bauman faz uma analogia auto explicativa sobre como a nossa sociedade é caracterizada pela fluidez, pela falta de estruturas ‘sólidas’ e estáveis. Assim como líquidos não mantêm uma forma fixa, as instituições, relações e identidade na nossa sociedade contemporânea estão em constante mudança, trazendo uma sensação de instabilidade, onde as conexões humanas são efêmeras e até mesmo em alguns casos descartáveis, assim como a água que flui sem reter uma forma permanente.


Zygmunt Bauman apresenta uma visão pessimista sobre as relações humanas, entretanto, ao mesmo tempo, ele apresenta uma leitura extremamente precisa sobre a transição da percepção humana causada pelo modo de vida consumista criado por um sistema capitalista. Aplicativos de relacionamentos e de namoro, como o Tinder, criam uma gamificação das relações interpessoais. Transformam o processo de conhecer novas pessoas em algo semelhante a escolher um prato de comida em um menu de um restaurante.


Em síntese, na modernidade líquida de Bauman, as pessoas encaram as relações humanas da mesma forma que vêem o consumo de produtos super industrializados. Se o seu celular quebrar, você troca ele por outro novo e melhor. Se sua esposa ou marido já não te agrada mais, você troca por outro ‘novo e melhor’.


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